Sexta-feira, 31 de Março de 2006

Bases geográficas

Universidade estadual da Paraíba - UEPB
Grupo de Pesquisas Urbanas, Rurais e Ambientais -TERRAPURA/UEPB/CNPq
GRÃO - Grupo de estudos Aprendizes da Terra
Centro Rural de Formação – CRF/PB
Scuola Media “Don Lilani” – Verona Itália
Terra – Grupo de Pesquisa Urbana, Rural e Ambiental da UEPB/CNPq.
Prof. Belarmino Mariano Neto.

CURSO SOBRE QUESTÃO AGRÁRIA

Sociedade e Natureza: linguagens, identidades e representações.
Profº: Belarmino Mariano Neto belogeo@yahoo.com.br

“Os desequilíbrios produzidos no mundo natural, têm sua origem nos desequilíbrios do mundo social” (Murray Bookchin, ecologista libertário).


Esquema 1 > Bases geográficas. ESPAÇO/TEMPO e SOCIEDADE/NATUREZA inter-relacionados

A partir da realidade podemos entender que a relação entre estes quatro elementos pode gerar novas visões de mundo e de ação dos seres sociais que tiverem acesso ao saber ler, escrever, contar e interpretar o mundo a sua volta. É nesta perspectiva que trabalharemos para os estudos do espaço-tempo e da Sociedade e da Natureza em áreas de Assentamentos do município de Cruz do Espírito Santo no litoral da Paraíba em parceria com o Centro Rural de Formação e da “scuola Media Don Milani”, com sede em Verona/It., para que juntos consigamos atingir o máximo de jovens filhos e filhas de agricultores inscritos, para juntos percebermos o quanto à relação sociedade/natureza está colada em nossa existência.

Geografia como Campo de Estudo: O conjunto dos fenômenos que se produzem na zona de contato entre as massas sólidas, líquidas e gasosas que constituem o planeta, onde a sociedade exerce um forte papel de transformadora das condições naturais e de si própria a partir de meios técnicos historicamente desenvolvidos e apropriados por setores (classes) sociais ou por toda a sociedade.
• Espaço: Onde? O lugar de um arranjo dinâmico de objetos naturais e objetos sociais construídos historicamente pelo trabalho humano. O espaço é uma construção social a partir do seu lugar de existência;
• Tempo: Quando? Pensado como processo de transformação ritmado pela dinâmica sócio-econômica, técnico-científica e informacional produzidas pela história e cultura humana na natureza. O tempo é pensado também nos ritmos da natureza e em seu quase que completo atropelamento pela lógica de tempo tecnológico do humano.
• Sociedade: Qual? Todo o complexo de relações humanas, conflitos, convergências, valores e atitudes de indivíduos ou comunidades que se associam ou se desassociam segundo interesses ou pressões, disputas e controles estabelecidos pelo poder político estabelecido pelos grupos, aceitos ou contestados ao longo dos eventos de cada sociedade. Esta enquanto uma construção histórico-cultural e política. As marcas cotidianas e as idéias de cidadania em lugares e vazios territoriais representados pelo artifício do poder, técnica e dominação. A sociedade, a comunidade e o indivíduo enquanto marcas e desafios para a cooperação, solidariedade e utopias.
• Natureza: Que? Idéia de vida sistematizada em elementos bióticos e abióticos que interagem num constante fluxo de energia em infinitas possibilidades de desenvolver a vida ou a não vida. A natureza cientificamente pensada em grandes e pequenos sistemas que se constroem a partir dos elementos fogo, ar, água e terra e estes se manifestam em diferentes estados e combinações até atingirem o estado biológico em múltiplos estados e formas. A natureza pensada como suporte físico dos vários fenômenos geográficos, químicos, ecológicos e biológicos.
• Território: De Quem? Extensão considerável de terra. A área de um país, ou estado, ou província, município, cidade e campo. Base geográfica de uma nação, sobre a qual exerce a sua soberania, e que abrange o solo, rios, lagos, mares interiores, águas adjacentes, golfos, baías e portos, mar territorial e espaço aéreo, todos diretamente relacionados com a soberania e a história de um país, região, Estado os lugar. O território pode ser definido também a partir de grupos, identidades, etnias ou organizações sociais que disputam o controle de determinadas áreas e atividades estratégicas ao desenvolvimento e manutenção do grupo envolvido. Os assentamentos como exemplos de novos territórios do espaço rural e sob o controle dos trabalhadores assentados, suas famílias e formas de organização social.
• Região: Como? Área que se distingue das demais por possuir características próprias e homogêneas, tanto físicas quanto humanas (clima, vegetação, relevo, produção urbana ou rural, etc.). A região é uma construção social fortemente marcada pela história de ocupação ou domínio de uma cultura sobre as outras. O Nordeste é uma região dentro do Brasil; o Litoral é uma Região dentro do Nordeste.
• Paisagem: Que? Tudo aquilo que a nossa vista alcança e que se caracteriza pela diferenciação de suas combinações, homogeneizada em sua essência, forma, cor, odor e sentimento de quem a observa (paisagem natural e/ou cultural). a paisagem é uma marca da percepção de cada indivíduo ou grupo e sua vivência direta com o lugar;
• Meio Ambiente: Que? Lugar onde se vive com suas características e condicionamentos geofísicos; ambiente. Que cerca ou envolve os seres vivos ou as coisas, por todos os lados; envolvente: meio ambiente. Lugar, sítio, espaço. Organização sistêmica ou interdependente de todos os fenômenos e objetos naturais bióticos e abióticos, dispostos em ecossistemas naturais. A Biosfera é o espaço da vida dos diferentes ecossistemas e geossistemas

Espaço Tempo: Onde e Quando?

Espaço Onde: A dimensão das coisas e dos lugares em suas estruturas, formas e funções a partir de cenários e atores sociais dinâmicos.
Tipos de Espaços: Os lugares e as distâncias. O espaço matemático (pontos, linhas e figuras geométricas); astronômico (cosmo e caos, universo e corpos celestes); geográfico e histórico (o lugar da sociedade na natureza, a cidade e o campo, as montanhas, desertos, florestas, ilhas, continentes, rios, mares, etc.); geológico, ecológico, biológico (os cinco elementos da natureza como água, fogo, terra, ar e vida); psicológico (estados da consciência humana e suas bases de conhecimentos), etc.
Onde: em cima, em baixo, à direita, à esquerda, longe, perto, na frente, ao lado, dentro, fora, na margem, pequeno, médio, grande, vazio, meio, cheio, circulo, quadrado, triângulo, retângulo, trapézio, fractal, etc.
É preciso conhecer o espaço para nele nos organizarmos e vive-lo de forma decente. O meio em que vivemos é o ponto de partida para a análise do espaço. Na aparência do espaço podemos pensar uma natureza primeira e uma segunda natureza como aquela transformada pelo trabalho humano em suas dinâmicas sócio-culturais econômicas. Complementando a noção de espaço podemos pensar em paisagens, regiões, territórios e ambientes.
Quando: Ontem, hoje, amanhã, cedo, tarde, dia, noite, momento, movimento, transformações, ritmos, seqüência, quebra, memória, lembrança, freqüência, breve, demorado, vagaroso, rápido, passageiro, medida, acontecimento, mudança, estagnação, passado, presente, futuro, etc.
O tempo histórico ou humano: cotidiano, segundos, minutos, horas, dias, meses, anos, décadas, séculos, milênios. Tempo das transformações humanas em sociedades e em meio à natureza.
O tempo geológico ou natural: ritmado por dimensões lentas e longas como o surgimento das estrelas e planetas ou outros corpos astronômicos; transformação das rochas, minerais, continentes e oceanos no decorrer de milhões de anos.

A relação sociedade e natureza: linguagens, identidades e representações.

• Identidade social (relações): Nomes, pessoas, funções, cotidiano na escola, na casa, na rua. Agrupamentos, relações, normas, regras e noções do trabalho social. Relações de trabalho, diferenças, sociais, desigualdades, exploração, organização e lutas. As etnias, os grupos sociais, as classes sociais, o trabalho, a riqueza, a pobreza e os conflitos.
• Identificação do espaço social (exploratório e de localização): a casa, a rua, o bairro, o sítio, a vila, o povoado, o distrito, a cidade. A escola, a igreja, a associação, o sindicato, a feira, a roça, o curral o quintal, o açude, o poço, o rio, a serra, a mata, o caminho, a estrada. Divisão, fronteira, globos, mapas, terras, águas, cidade e campo, estado, região e país. Território como produção do espaço. O rio, o lago, o mar o oceano, a ponte, a cerca a estrada, as paradas, as seqüências, os morros, as serras, as várzeas, as plantas, as plantações, os animais, etc. Relevo, clima, hidrografia, vegetação, solo, ambiente e seres vivos. Casas, plantações, edifícios, trens, automóveis, aviões, indústrias, comércio, bancos, igrejas, paisagens, etc.
• Orientações no Espaço: direções, distâncias, pontos cardeais, bússola, mapa, desenho, globo, etc.
• Localização no tempo: datas, festas, rituais, acontecimentos. Presente/passado/futuro em ritmos humanos e naturais. Culturas, estações do ano, clima, tempo atmosférico, calor, frio, seco. Vida em família, vida em sociedade, vida na escola, vida no trabalho, vida no cotidiano, vida dos pensamentos e sonhos.
• Tempo de ações culturais: habitação, vestuário, transportes, alimentação, trabalho, utensílios, brinquedos, costumeis, religiões, educação, lazer, sonhos, festas, lutas, conquistas, imagens, histórias, lugares, pessoas, sonhos, etc.
• Espaço/Tempo: de chuva, de seca, de calor, de frio, de plantar, de colher, de vender, de festejar, de perder, de ganhar, de lutar, de sorrir, de chorar, de amar, de odiar, de cantar, de gritar, de falar, de calar, de escutar, de agir, de esperar, de observar, de acompanhar, de vibrar, de organizar, de reconhecer, de tirar, de botar, de somar, de diminuir, de dividir, de multiplicar, de rezar, de orar, de meditar, de refletir, de pensar, de lembrar, de esquecer, de perceber, de sentir, de sonhar, de partir, de ficar, de trazer, de levar, de subir, de descer, de parar, de correr, de vibrar, de crescer, de estudar, de morar, de casar, de trabalhar, de viver, de morrer, de enterrar, de plantar...


Esquema 2 > Jovens em Formação.

Com base no esquema acima e nas frases abaixo, qual será o nosso papel no mundo e momento em que vivemos?
“O humano é a natureza adquirindo consciência de si própria” (Elisseé Reclus).
“A noção de que o homem deve dominar a natureza vem diretamente da dominação do homem pelo homem” (M. Bookchin).


NÓS NESTE MUNDO: Terra, Água, Ar, Fogo, Vida e Seres.

1. Chamamos presente o poder do elemento ar o mais livre dos elementos. Ar fino que envolve a terra e toda a vida, penetrando na alma espalha força e alegria. Vento, brisa, ar em seu voar de pássaros;

2. Chamamos presente o poder do elemento madeira, que vem do leste com o vento. O elemento que lembra a vida nova e nos incentiva a sempre crescer

3. Chamamos presente o poder do elemento fogo. O calor que ascende nossos corações de paixão e nos convida a viver com coragem.

4. Chamamos presente o poder do elemento terra, a mãe do todos os elementos. A terra que nos dá firmeza e equilíbrio do corpo-mente e espírito.

5. Chamamos presente o poder do elemento metal que vem do oeste. O metal que lembra a maturidade e nos ajuda a soltar o que tem de ruim e nos convida a inspirar tudo de bom que o mundo tem.

6. Chamamos presente o poder do elemento água, o elemento que refresca e limpa nosso corpo. O elemento que nos desafia a ousar e viver plenamente.

7. Chamamos presentes o poder das cores primárias: vermelho, azul e amarelo que se misturam para originar todas as cores do arco-íres;

8. Chamamos presente o poder dos odores essenciais da natureza, encontrados nas flores, incensos e frutos da terra e que transportados pela brisa da manhã incensam e perfumam nossos dias;

9. Chamamos presente o poder dos sabores básicos de nossa existência representados pelo doce, amargo, azedo, salgado e picante em cada um dos diferentes alimentos que a divina terra nos preparou como comida sagrada para vencermos os desafios da vida, fortes e sadios;

10. Chamamos presente o poder dos ruídos e sons do universo em seus instrumentos e músicas ou cantigas que nos deixa alerta, nos dá o dom da fala e o sagrado da voz que se propaga pelas bocas do mundo.

11. Celebramos o nosso universo que está sempre se transformando no ciclo de nascimento, vida, morte e nascimento. Celebramos os ciclos dos nossos corpos. Confiamos nos poderes dos elementos e no poder do nosso corpo e na busca do equilíbrio e bem-estar que encontramos nas forças da natureza. Que sejamos grupos unidos pelas forças do corpo, da alma e do coração para a realização harmônica de todas as coisas.






1. Texto para Oficina temática: Geografia do pote e sua representação
Belarmino Mariano Neto

Uma coisa que considero particularmente interessante é o pote. É uma dessas coisas que acompanham a civilização humana desde seus primórdios, o pote guarda em se toda a humanidade, especialmente quando ela começou a ocupar os vales argilosos das bacias hidrográficas planetárias. E para se chegar a este estágio, foi preciso construir muitas formas de ocupar os pântanos e planícies da morfologia terrestre, até porque, estes ambientes, eram áreas vitais de disputas das diferentes espécies de animais que precisavam de água para tocar a vida encadeada pelo alimento, sólido, líquido e gasoso que muitas vezes eram arrancados na carne viva dos outros corpos que davam sentido a esta cadeia de necessidade da vida.
O pote é aparentemente um trabalho das mãos, uma arte do simples amassar argila e lhe dar a forma de pote. Um pote não é tão simples quanto parece, aquele amontoado de fina argila, que guarda no vazio de sua forma a função de guardar água. Vejo em um pote, um complexo processo de construção. A escolha da argila, os experimentos, as texturas, a dureza e sua plasticidade.
Vejo no pote o complexo sistema da natureza humana a associada aos princípios primários da natureza. O pote guarda em sua materialidade toda a filosofia Pré-Socrática dos quatro elementos (terra, água, fogo e ar) totalmente inter-relacionados e interdependentes. A única falta de um destes, impediria a construção do pote. O pote é um ecossistema sociocultural. O pote guarda em sua gênese os princípios de interdependência plástica.
Cada pote é uma coisa única, por mais perfeita que seja a arte do oleiro, este não faria o mesmo pote duas vezes. E mesmo que na sua memória guarde o mapa mental do pote original, nunca mais fará o pote mesmo da sua cabeça, nem o pote real, nem o original das escrituras mentais do feito. Cada pote guarda em si a experiência única de ser feito pote.
O pote em sua feitura, guarda o sacrifício da lenha que gerou o fogo e que ao ser queimada(o), tanto o pote quanto a lenha, libertaram de si seus gases, suas novas formas materiais e a umidade de suas águas. A argila que antes de pote, aceitava ser batida, sovada, amassada, agora na forma de pote se torna cristal rochoso, perdendo flexibilidade e ganhando rigidez. Esse estrutural que agora se sustenta basicamente em uma única coluna, plana e horizontal que ganha o sentido de fundo do pote e que é base desse todo. As colunas que edificaram o pote estão na mente, nas mãos e no vazio que o oleiro lhe impôs enquanto forma e fazer.
O pote só tem sentido enquanto vazio, se puder ser cheio de um sentido de água, vinho, azeite ou grãos. Sem isso, o sentido do pote é seu vazio que se enche de ar. Ou seja, o sentido exterior do pote é a sua forma estética ou plástica. Sem ela não se construiria o sentido interno do vazio do pote. Um pote não é trabalho para qualquer um. Um pote pede experiência do oleiro.
Da mente as mãos, dos pés a sensibilidade. O equilíbrio e o domínio no ponto da argila, nem muito mole, nem muito dura, mas no ponto de cada um dos oleiros. O pote guarda em sua forma de pote um jeito de universo aberto, mesmo que com tampa.
Depois de feito, o pote precisa passar pela cura, cheio de água em seu vazio, vai chupando toda a água pelos poros de sua parede. Chupa até a ultima gota, demonstrando um sistema completamente aberto, no qual a argila bebe toda a água. A água vai preenchendo os vazios da parede argilosa do pote até sair para sua superfície, ganhando no vazio do mundo a sua condição de liberdade. Uma experiência que mexe com o sentido da estrutura do pote, tão sólida e fechada em sua plástica. Você ver o pote suando, transpirando e vertendo ou minando a fina água que se guardava na concreta, aparente e impenetrável materialidade do pote.
Não posso esquecer o quanto o pote é frágil em sua estrutura de barro, na permanente possibilidade de se quebrar, transformando-se em cacos; outra lembrança são os limites impostos pela parede do pote; o espaço do pote no espaço da casa, locus em que se encontra o pote; a forma do pote em sua base, cintura, pescoço e boca que aceita tudo que lhe queiram colocar, pois é da natureza do pote admitir em seus limites que lhe encham do sentido que queiram desde que consigam lhe enfiar boca adentro, pois sua boca é o limite.
Gosto muito da seguinte cena: uma mulher de estrutura média, pele morena ou queimada pelo sol com uma barrida carregada de lua cheia que carrega em si mais ou menos oito meses e meio de gravidez, subindo uma ladeira com uma criança de mais ou menos um ano e meio escachada em seu quadril esquerdo; uma rodilha de pano e um pote cheio de água em seu vazio. A mão esquerda segura o filho, a direita corta e conta o vazio do tempo dos passos para equilibrar a barriga, o menino escanchado, o pote na rodilha e a rodilha na cabeça. Tudo isso guarda um complexo e dinâmico processo de diferentes e correlacionados equilíbrios. É esse simples equilíbrio que dá sentido ao complexo do pote em seu todo de esferas e círculos em paredes de argila que dão sentido ao vazio que busco como sentido.




2. Texto para Oficina temática: Geografia da Peneira e seus vazios de sentidos.
Belarmino Mariano Neto.
A escolha em pensar a peneira como objeto de comparação no trabalho é pensar em uma casa de farinha e seus vários momentos para o fabrico da farinha ou de outros alimentos. A peneira é instrumento de trabalho extremamente simples, que foi desenvolvido desde os primórdios da humanidade, e guarda em sua estrutura um complexo emaranhado ou teia de significados para um conhecimento que propõe inter-relacionar elementos científicos.
A peneira é um objeto usado para peneirar ou separar substâncias grossas e finas. Penso em uma peneira feita com tabocas, cipó e varas do marmeleiro. Toda feita manualmente. Com um tamanho de aproximadamente 1,0m / 90 cm na forma retangular, quase quadrada. Mas existem vários tamanhos e formas, como as arredondadas.
A lógica da peneira é exatamente peneirar, mais quando observo um objeto destes, vejo com facilidade seu material estrutural e sua função, esquecendo de observar o invisível que interliga cada parte da peneira, seus furos ou passagens para a massa que deve ser peneirada.
A peneira é um sistema aberto, marcada por uma trança de finas taliscas que ao se cruzarem criam um sentido de fechado/aberto para a realização do trabalho. O que fica na parte de dentro da peneira é o material grosso, que ainda precisa ser mais bem triturado; o que passa pelas aberturas da peneira é considerado como material para continuação da produção.
Mesmo considerando a peneira em sua totalidade, seu sentido é exatamente o vazio que se forma de entrelaçado das tabocas. O sentido é também sua suave concavidade na qual se acumula o material a ser peneirado. Seu rico trançado permite uma geometria de quadrados, triângulos, retângulos e losangos. Uma matemática profundamente bem arranjada em suas formas, mas seu sentido são unicamente os vazios em suas articulações. É esse sentido do vazio e da complexidade no simples que me atraí. Essa unidade de materialidade e imaterialidade; de natureza e sociedade em unicidade socioambiental enquanto sistema aberto, combinado e interligado é o que busco compreender.







3. Texto para Oficina temática:
A gripe aviária nas asas da liberdade
Belarmino Mariano Neto.
http://spaces.msn.com/essencialismo/
Em meu quintal existe um coqueiro carregado de cocos e com um ninho de sanhassú. Este é um pássaro nativo dos trópicos brasileiros... Um ninho com uma pequena família de pássaros novinhos em penugem... Eles fazem o maior barulho, pois ainda não sabem cantar, principalmente quando estão com fome e seus pais pássaros chegam ao ninho com alguns petiscos encontrados em restos de matas ou quintais do bairro dos Bancários na cidade de João Pessoa, Paraíba, Brasil. Esse é o lugar deles na Terra. Um coqueiro que fica na frente do meu escritório em um primeiro andar da casa onde moro. Um cenário perfeito para uma vida de asas que nasce e treina em seus ruídos o primeiro afinar da garganta para cantar e daqui das folhas do coqueiro treinar os primeiros vôos...
Estes inocentes não sabem que algo quase invisível ronda o mundo em uma caça frenética pelas suas asas. Um vírus, uma gripe aviária mutante e veloz sonha em encontrar estas pequenas asas e suas vias respiratórias.... Daqui fico imaginando tudo isso atingindo meu pequeno filho Vítor Hanael, com seus sete anos de idades e muitas asas de sonho em no mínimo ser um super herói daqueles da TV. Isso também pode ser a destruição de todos os meus sonhos, até mesmo daquele sonho em morrer velhinho em uma cama quentinha ao lado dos mais queridos.
A gripe aviária é o prenuncio do fim de nossas sonhadas asas da liberdade. Isto se pensarmos pelo lado de um modo de vida em que o capitalismo se impregna nas pessoas e estas não conseguem mais pensar em ver outros e mais simples modos de vida. Começa pelo aprisionamento dos animais humanos em suas cavernas de necessidades, necessidades tão primitivas quanto os agasalhos e alimentos. Todos dependentes de uma caça incessante por um padrão de vida que garanta isso...
Agora as aves estão sendo abatidas aos milhões para que se evite o contato da gripe aviária em humanos e mamíferos que se alimentam da carne das aves... Isso tudo lembra o poeta Raimundo Fagner em sua base de questionamentos... “O que este punhal tem de prata são as asas da imaginação, a dor voa mais volta sempre e pousa no meu coração, voa gaivota leve, voa leste, se o mar as armas secretas e rouba a carne dos peixes e a solidão do poeta”...
Um mundo sem aves, sem avoantes, sem pássaros cantantes... Alguém já parou para pensar nisso?... Será que teremos que exterminar todas as aves por conta do vírus? Será que valeria a pena ficar sem as asas da liberdade? Será que um estatua da liberdade substituiria as asas e simbolizaria os pássaros, galinhas, marrecos, morcegos, cisnes e gansos? Será que o vírus vencerá as asas?
Parece que este indicador ecológico no mínimo corta todas as nossas asas da imaginação.... Sem pássaros como sonharemos em voar? Sem as asas será que os sonhos das gerações futuras serão apenas metálicos, sem metafísica, sem asas, sem penas? Essa gripe que ataca as asas parece um enigma ou prenuncio de algo muito maior, o vírus. http://spaces.msn.com/essencialismo/
__Imagem extraída da revista Utopia/2000/01, http://www.azul.net./m31/utopia
publicado por olharesgeograficos às 17:31
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