Sexta-feira, 2 de Junho de 2006

Asas de uma tempo azedo

Apesar de um Tempo Azedo,
Lagartas Borbulham um Futuro de Asas
Belarmino Mariano Neto
Vai pensamento, flutua por estas cabeças e lhes rouba os espaços.
“Pai, não se preocupe por eu estar de cabelos longos, usando jeans e ter na mão minha viola”.
“Se preocupe quando eu estiver de cabelos curtos, usando uma roupa verde oliva e tiver nas mãos uma metralhadora para matar”.
A história dos homens é feita de guerras onde
 “Pessoas que não se conhecem se matam por pessoas que se conhecem e não se matam”.
Uma casa não é feita de tijolos, mas de trabalho e sonhos, uma mistura de materiais.
Nossa casa, com estrutura de ossos, paredes de carne e nervos, guarda os segredos escritos pela dor, alegria e fantasia do nascer constante. Uma morada com portas e chaves de pensamento, sentimento e vontade, em muitos que precisam morar verdadeiramente, sem se perder de vista.
“O corpo tem suas razões, nessa antiginástica e (cons)ciência de si”[1].
E a saudade? Sentimento, sentido em sintonia com muitos momentos que o tempo leva, mas que não consegue esvaziar por completo o nosso ser.
O que somos para além do nada?
Os construtores dos momentos (tempo) e suas impressões que darão continuidade a outros momentos. Movimentos em proporções incalculáveis, isto é nada em escalada loucura do viver, sendo o continuar a contradição transitória no constante existir.
A consciência não se faz num dia, mas no dia da consciência de cada um.
 A vida é a diversidade pensada em todas as direções, imaginária construção da existência.
Precisando destruir o inquestionável, (des)construir o existir, o criar e viver o único e existente movimento do ato constante.
Os momentos não são muitos, são únicos, e “tua liberdade amplia a minha ao infinito”.
Na vida ser nada, frágil sentimento, pura carne. Fragilidade cristalina, apesar das presas caninas. Antropofagia carnívora da calma, alma e alegria. Coração e mente a espalhar imagens e sentidos para o sonhar, navegante das cores, dores e fantasias.
Minha liberdade está presa a um casulo do tempo e do espaço.
Minha borboleta está presa a uma liberdade.
Lagartas que borbulham um futuro de asas, apesar de azedo o tempo que consume o vento de um mentiroso domingo. Ver o espaço vazio e tentar preencher-lo com o olhar geográfico. São três horas os relógios como loucos não param, disparam: segundos, minutos, horas e meias; enquanto houver tempo para circular em seus limites. Em meio a estes devaneios o vento livre a levar palavras e sonhos de sorvete com sabor de milho verde.
Quando te esgotares do vazio, certamente sentirás o forte frio de desequilíbrio da vida.
Caminhos longos e sem ponto de partida. Sem luz perdi de ver o brilho dos teus olhos, perder de ver de vez o que talvez não veja jamais.
 “No caminho contrário a máquina, caminha um homem tocando seu violino”...
Este escrito é uma oferenda aos que juntos fazem um olhar geográfico recheado pelas delícias do salgado/doce da UTOPIA.
 

[1] Cf. BERTHERAT, Thérèse, SP: Ed. Martins fonte, 1987.
publicado por olharesgeograficos às 02:30
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